DICAS CULTURAIS
6ºano E.F.II

 

LIVRO: a troca

Pra mim, livro é vida; desde muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé fazia parede; deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes).
Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.

Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação. Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim cheia me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que - no meu jeito de ver as coisas - é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.

Mas como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei de um dia alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra - em algum lugar - uma criança juntar com outros e levantar a casa onde ela vai morar.
(Lygia Bojunga Nunes)



Acreditando na importância da leitura para o desenvolvimento do pensamento crítico, do poder de interpretação e de atribuição de sentido ao mundo que nos cerca, assim como para o aprimoramento do uso da linguagem verbal e da criatividade, a equipe de Língua Portuguesa e os serviços de orientação pedagógica e educacional sugerem alguns títulos da nossa literatura para os alunos do 6º ano do ensino fundamental.

Estas são nossas dicas culturais para o 1º trimestre de 2008

 

• Luana adolescente, Lua crescente, de Sylvia Orthof - Nova Fronteira
Luana tem, como todo adolescente, seus segredos e seus amores. Seu diário secretíssimo - que não deve ser lido por garotos - é cobiçado por aqueles que procuram entender todas as "luas" de Luana, que a tornam tão mutante, misturando realidade e fantasia. Prêmio Adolfo Aizen, da UBE. Livro Altamente recomendável para o jovem pela FNLIJ.

• O Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon - José Olympio

Tistu é o menino do dedo verde nessa bela história de Maurice Druon, recheada de humor e poesia. Trata-se de um dos maiores clássicos infanto-juvenis da literatura mundial.



• O Silêncio dos Descobrimentos, de Roseana Murray - Paulus Editora

Este livro, através de poemas, anotações e imagens, oferece subsídios para as pessoas que querem descobrir melhor o mundo e a si mesmos. Todos nós corremos o risco de passar pela vida sem descobrirmos as coisas e as pessoas. Ver superficialmente não é descobrir. Cada ser guarda consigo um mistério e as coisas simples podem tornar-se muito mais significativas quando contempladas. Cada coisa e, principalmente, cada pessoa, possui suas particularidades e diferenças.

 

Para os pais e responsáveis:

 

• A distância entre nós, de Thrity Umrigar – Nova Fronteira

A distância entre nós, romance da jornalista indiana Thrity Umrigar, é apresentado ao leitor como uma complexa encruzilhada de semelhanças e diferenças entre Bhima, a empregada, e Sera, a patroa. Distantes pelas diferenças entre classes, elas se aproximam na condição de mulheres oprimidas, que dedicaram as vidas para cuidar dos outros. O leitor acompanha o cotidiano das duas como senhoras maduras e, na narrativa em flashback, percebe como estas existências vão se construindo juntas, sempre alimentadas por uma relação de atração e repulsa.


• O silêncio da chuva, de Luiz Alfredo Garcia-Roza –Cia das Letras

No centro do Rio de Janeiro um executivo é encontrado morto com um tiro, sentado ao volante de seu carro. Além do tiro, único e definitivo, não há outros sinais de violência. É um morto de indiscutível compostura. Mas isso não ajuda: ninguém viu nada, ninguém ouviu nada.O policial encarregado do caso, inspetor Espinosa, costuma refletir sobre a vida (e a morte) olhando o mar sentado em um banco da praça Mauá. No momento tem muito sobre o que refletir. De um lado, um morto surgido num edifício-garagem; de outro, a incessante multiplicação de protagonistas do drama. Tudo se complica quando ocorre outro assassinato e pessoas começam a sumir.